Subliminar: a influência silenciosa dos espaços

Influência subliminar dos espaços

Somos influenciados pelo ambiente em que estamos inseridos. Muitas vezes acreditamos que todas nossas decisões são tomadas de acordo com nosso pensamento consciente, racional. A verdade é que grande parte da forma que pensamos, decidimos e sentimos tem a ver com uma série de processamentos inconscientes. A cor da parede, a posição da janela, o material do piso. Toda informação influencia nossa mente, de forma consciente ou subliminar.

Segundo o físico norte-americano Leonard Mlodinow, como temos recursos limitados para manter nossa atenção nosso cérebro dá atenção somente ao que entende como prioridade. Todas as outras informações são registradas e processadas em níveis mais profundos e inconscientes.

Dessa forma, para que nossas escolhas e emoções estejam de acordo com nossas verdadeiras intenções, precisamos estar atentos a essas influências. Por isso é importante o estudo, planejamento e boa execução dos espaços pessoais e profissionais que habitamos.

Sem um bom conceito, o local que passamos nosso tempo passa a transmitir informações que vão de encontro ao que verdadeiramente queremos.

Importância da mensagem subliminar

Ter a consciência das informações subliminares que os nossos espaços emitem é fundamental para produzir os efeitos desejados em nós e nos outros.

Compreender que esses lugares dialogam em maior ou menor grau com quem está nele amplia nossa visão e produz mais efeitos desejados no mundo. Para que isso se torne realidade, contar com profissionais que ajudem a traduzir essas influências desejadas em intervenções concretas é crítico. Eles ajudam no cuidado com as relações humanas nesses ambientes.

Não se encontra o espaço, é sempre necessário construí-lo – Gaston Bachelard

Por exemplo, podemos querer um espaço que alegre quem está nele, mas se não houver iluminação suficiente ou se forem utilizadas cores ou posicionamento de cômodos de maneira inadequada, pode vir a ser um espaço que inspire a mensagem errada.

O tiro pode sair pela culatra.

Para perceber esse efeito, vá a um ambiente que nunca tenha estado antes. Pense de que maneira você passou a se sentir quando entrou ali. Sente-se mais confortável, acolhido, eufórico, introspectivo, relaxado, tenso…?

Sala escura vazia

Compare a imagem ao lado com aquela que você viu no início desse artigo. Você se sente igual ao olhar para cada uma delas? Ou elas evocam sentimentos, lembranças, sensações diferentes?

Repare na potência silenciosa que existe na concepção de um ambiente. E isso tem que estar de acordo com a intenção dele.

Tem que conversar com seu propósito de existência. Por que esse espaço existe? Quem frequenta ou vai frequentar? O que eu quero com ele? Como traduzir isso no mundo real?

Nesse momento entra a arquitetura e todo seu arsenal de conhecimentos, teorias e estudos para direcionar esse diálogo subliminar.

Veja aqui uma entrevista do Arquiteto Alexandre Casarim sobre o conceito do visual ideal para o consultório.

Pensando sobre os espaços

Existe um risco muito grande quado um espaço é criado sem haver um pensamento consciente, reflexivo, empático, que leva em consideração cada detalhe e seus impactos no outro.

Convido a pensar sobre qual influência você quer que sua casa, escritório ou consultório tenha sobre você e as pessoas que recebe? Em quais palavras isso pode ser descrito? Escreve três palavras-chave que você quer e três que você não quer. Que símbolos vem à sua mente quando pensa nessas palavras?

Duas formas de pensar

As informações são processadas em nossa mente de duas maneiras diferentes: rápido e devagar. Segundo o Nobel de Economia, o psicólogo israelense Daniel Kahneman, a maior parte das nossas decisões são tomadas de forma rápida, sem nos darmos tempo para reflexão.

Isso acontece por conta de dois motivos principais:

  • É uma forma de nossa mente reagir a situações urgentes (como saber se um lugar é receptivo ou se uma pessoa é amistosa). Isso tem a ver com nosso instinto de sobrevivência;
  • Guardar energia para pensar em questões que considera relevante. Nossa energia é limitada e buscamos gastar o mínimo possível dela.

Quando entramos em um lugar, nosso foco e processamento mental consciente estão em nossas atividades principais. Acabamos não nos atendo às mensagens que são transmitidas subliminarmente pelo ambiente.

Contando histórias

Criando HistóriasA mente deseja contar histórias, gerar significados, conhecer o sentido do mundo que a cerca (mesmo que não tenha sentido algum, como ver imagens em nuvens). De forma extremamente rápida.

Dessa forma, se ela vê uma parede verde começa a buscar compreender o que significa a cor verde ali. Se é um lugar com música ambiente, rapidamente decide se gosta ou não do que está ouvindo.

Estabelece um posicionamento afetivo com relação ao lugar.

Para nossa mente inconsciente toda informação importa e envia para nosso consciente o que ela julga que merece nossa atenção (para fuga da dor ou busca pelo prazer, como diz o filósofo inglês Jeremy Bentham).

Aquilo que nossa mente entende que não precisamos pensar profundamente, permanece em nosso subconsciente sem processamento racional. São informações recebidas de várias maneiras (inclusive pelos nossos ambientes) e que influenciam nossas decisões e reações. Esse é um risco e uma oportunidade, depende da forma que sonhamos, pensamos e criamos.

Quer saber mais?

MLODINOW, Leonard. Subliminar: Como o Inconsciente Influencia Nossas Vidas. 1ª Edição. Rio de Janeiro: Zahar, 2013.

KAHNEMAN, Daniel. Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar. 1ª. Edição. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.

HELLER, Eva. A Psicologia das Cores: Como as Cores Afetam a Emoção e a Razão. 1ª. Edição. São Paulo: GG, 2012.

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